ITAPETINGA: FECHAMENTO DO PS DO CRISTO REDENTOR. DE QUEM É A CULPA?

ITAPETINGA-SUDOESTE BAIANO

A inquietude tomou conta da nossa querida capital da pecuária baiana.
O Pronto Socorro do Hospital Cristo Redentor foi fechado, literalmente. Além do PS, serviços de obstetrícia também foram suspensos, contudo as cirurgias ainda acontecem e podem ser marcadas pelos usuários do SUS.

Mas, de quem é a culpa pelo fechamento do PS do HCR? A quem pertence o hospital? Quem o administra? Qual é a parcela de participação do Município?

Bem, o Hospital Cristo Redentor (toda sua estrutura física e equipamentos), pertence a uma irmandade filantrópica, a Santa Casa de Misericórdia de Itapetinga. Ao longo da história uma direção era eleita, um corpo médico formado e um provedor assumia a busca de viabilidade de recursos.

No ano de 2013, a Santa Casa de Misericórdia cedeu toda infraestrutura do HCR a uma fundação, a FJS-Fundação José Silveira, uma instituição privada e de utilidade pública, sem fins lucrativos. Naquela oportunidade esse era um desejo da maioria dos médicos, sendo que apenas os médicos: Dr. Jilvan Matos (anestesista), Dr. Marcelo Gomes (Urologista), Dr. Ailan (Ginecologista) e Dr. Silvio Macedo (cardiologista), e apenas o saudoso Rômulo Coelho, representando a sociedade, e pronunciaram contrários ao Contrato. De todos os médicos que votaram a favor, o Dr. José Otávio Curvelo foi o único que expressou seu sentimento de arrependimento.

O nome predominante da FJS em Itapetinga é o do deputado Federal Antônio Brito, embora ele não ocupe cargo direto na referida Instituição. O mesmo sempre fez parte da Diretoria Executiva da Federação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas da Bahia, inclusive como seu presidente, oportunidade em que fez as tratativas para celebração de termo de cessão de uso entre a Santa Casa de Misericórdia de Itapetinga (filiada à Federação) e a Fundação José Silveira, no ano de 2013.

Logo no início os resultados encheram os olhos da comunidade e a FJS passou a gozar de respaldo e popularidade. Com o passar do tempo o nome do político Antônio Brito passou a se sobressair dentro do Hospital e as indicações de cargos importantes e minoritários passaram a ser eminentemente políticas, o que iniciou o processo de queda na qualidade dos atendimentos.

Além das AIH-Autorização de Internação Hospitalar, atendimentos pelo SUS, Convênios, Planos de Saúde e Particular, a Prefeitura de Itapetinga celebrou Contrato com a FJS, comprometendo-se a repassar mensalmente determinada quantia em dinheiro.

É evidente que o atendimento total do HCR não está atrelado a esse repasse, mas o mesmo tem substancial importância no funcionamento do Pronto Socorro.

Durante a Pandemia muitos procedimento foram suprimidos e o Município cobrava relatórios financeiros que demonstrassem a aplicação efetiva dos recursos e o atendimento direto à população. Com respostas espaças, segundo o Município, a alternativa da Secretaria de Saúde era glosar os pagamentos, limitando-se a pagar o serviço que de fato teria sido prestado.

Essa novela se arrastou por algum tempo, com a FJS ameaçando fechar as portas do PS, e o fez por um período, uma vez que a Prefeitura não havia renovado o Contrato. Ato Continuo, a Prefeitura emitiu Nota Pública informando que o aditivo de prazo havia sido publicado. O PS voltou a funcionar, mas, após as partes não chegarem a um acordo quanto aos valores e prazos, o contrato mais uma vez foi suspenso e agora, definitivamente, o PS do HCR está fechado.

O Cristo Redentor é um hospital municipal com característica de regional, embora não receba verba com essa fuinalidade. O governo do Estado, criador da famigerada regulação, dorme em berço explêndido e não se manifesta quanto ao real problema em Itapetinga.

Vale lembrar que Itapetinga tinha três hospitais, sendo que dois deles (Raimundo Perazzo e Santa Maria), foram fechados na época em que Itapetinga era administrada pelo PT. Esses fechamentos agravaram a situação da saúde no Município.

Mas, voltando ao fechamento do PS do HCR, de quem é a culpa? Cabe as partes se manifestarem e apresentarem informações fundamentadas, plausíveis de convencimento à população, pois no momento a mesma não busca um culpado, mas sim um solucionador de problemas, que resolva a situação do atendimento à comunidade o mais rápido possível.

Em Nota, a Prefeitura de Itapetinga disse que “Na última quinta-feira, 13, em reunião com o Ministério Público, o município se comprometeu a mandar uma nova proposta à Fundação. O documento foi enviado na sexta-feira e, antes de obter qualquer resposta, a Fundação encerrou os atendimentos no Pronto Socorro”.

Já a secretária de saúde, Rosania Rabelo disse que: “Há anos, a gente vinha mantendo um serviço deficitário. Os pacientes chegavam ao hospital e precisavam aguardar regulação para atendimentos simples que deveriam ser prestados no município, de forma imediata. A prefeitura não estava satisfeita com o serviço pelo qual ela pagava, mas a população não recebia. Com o fim do contrato, decidimos, então, buscar alternativas para assistir o nosso povo de forma direta. Seguimos reavaliando o fluxo e aperfeiçoando o atendimento. Em breve, os itapetinguenses poderão contar com um serviço hospitalar mais completo, confiável e mais humanizado, que ofereça conforto, segurança e faça, de fato, saúde pública no município”, explicou a secretária.

Por Maurício Gohmes